No quarto dia do Festival fez-se o Teatro de Rua. Com o objetivo de englobar e incluir ainda mais a cidade de Sapiranga como um todo dentro do festival, este ano o Morrostock desce o Morro Ferrabráz e leva para o centro da cidade atrações como teatro de rua, debates e shows.O quarto dia do festival foi marcado pela primeira apresentação no centro da cidade e a honra coube ao grupo TIA de Canoas que apresentou seu espetáculo Histórias de Um Circo Sem Lona. Segundo Mauro Bruzza que é o produtor responsável por esta parte do festival, o público compareceu timidamente, o que nos levou a pensar que a falta de costume com o teatro de rua deve ser relevada em um caso como este. Pouco mais de 20 pessoas pararam pra ver a apresentação, muita gente ficou olhando de longe e os passantes olhavam mas não paravam.
O grupo TIA fez bonito e cumpriu com o principal objetivo da atividade proposta: fomentar público, divulgar o teatro de rua e levar a cultura para o centro da cidade.
No quinto dia do festival, novamente estávamos lá na Praça da Bandeira, desta vez com o espetáculo da Cia. Um Pé de Dois chamado Ao Divagar Se Vai Ao Longe De Bicicleta Mais Ainda. De um dia para o outro muita coisa mudou, o público triplicou e muita gente que passava foi parando pra ver o espetáculo. Curiosos de carro passavam olhando com ar de espanto, bem devagar, e muita gente viu de longe. Acreditamos que com isto estejamos logrando os resultados previstos e aproximando mais as pessoas da arte de rua. No momento de passar o chapéu, o Palhaco Quindim falou da importância da valorização do artista de rua e ressaltou que o público é quem teria o poder de definir quanto valia o show. Também disse que as notas seriam muito bem vindas e que esta valorização está justamente ali, nas notas, e não nas moedas. O povo entendeu o recado, embora ainda estejamos longe de um ideal para isto. Muita gente ainda precisa compreender melhor como isto funciona para que o teatro de rua tenha o valor e o respeito que merece.

Queria dar um grande salve a todos os artistas que trabalham na rua e dizer que eles cumprem um papel importante na vida social e que isto, acima de tudo, deve ser valorizado e respeitado.

Acabada a apresentação fomos para a Câmara dos Vereadores para o primeiro debate cultural do festival . O tema foi sobre a adaptação do músico para com sua carreira no momento atual e estavam presentes: Moyses Lopes e Santiago Neto, que são os organizadores da Feira da Música do Sul e do Forum Permanente de Música do RS, eu, Flademir da Secretaria da Juventude de Sapiranga, Beto Jacobina, do Conselho de Cultura da cidade e representante da música, mais algumas pessoas. Da mesma maneira que o teatro de rua, as palestras culturais ainda são um tabu pra muita gente. Tem muito que evoluir para mostrar a importância das conversas e debates, pois não é só de shows que uma banda vive. Existe uma cadeia produtiva bem maior que cerca a música e esta rede é de fundamental importância para a sobrevivência dos músicos e profissionais da área. O caminho é longo e duro e atos como esse devem estar mais presentes, não somente em festivais, mas também em nosso cotidiano. Conversas e organização são fundamentais para o crescimento da economia da cultura e do músico em si.

Postado por Paulo Zé
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